quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Começou a oposição a Obama.

Felizmente o presidente recém empossado dos EUA, Barack Obama conseguiu aprovar seu pacote de incentivo a reativação da economia que chega a mais de oitocentos bilhões de dólares graças à maioria folgada que têm na Câmara dos deputados (faltando agora a apreciação do Senado), mas não sem antes esbarrar numa oposição (republicanos), inconseqüente e hipócrita (bem ao estilo brasileiro do quanto pior melhor), que votou maciçamente contra o projeto. Durante o governo republicano de George Bush gastaram cifras absurdas nas guerras do Afeganistão e Iraque (só nesse país se não me engano, passou de um trilhão de dólares), isentaram de impostos os ricos, e depois a classe média que inclusive recebeu (no último ano de governo), cheques com pequenas quantias para gastar e reativar a economia, que segundo o economista Paul Krugman não fazem diferença para esses que já tem alguma coisa (numa verdadeira concentração de renda), mas fariam diferença para os pobres que tem muito pouco ou quase nada. Como se não fosse o bastante ainda mentem quando dizem que os investimentos planejados pelo governo democrata para gerar empregos sairia muito caro. Segundo Krugman, tomaram o custo total de investimento de um plano de vários anos que criará milhões de empregos por ano, e dividiram pelo nº de empregos criados em apenas um ano. É a velha e conhecida (e nós conhecemos bem isso), política de criar dificuldades (usando inclusive argumentos antíestimulo), atrapalhar, sabotar para mais tarde retornar ao poder. O governo Bush foi tão medíocre em determinados fatores que serviu para enterrar de vez as teorias neoliberais de que o estado era o problema, de que o mercado tudo regularia por si só, e deu total liberdade ao setor financeiro, e todos sabem o final da estória. No final, como bem disse o presidente da OAB, prevaleceu o seguro estatal, ou seja, o estado tem de socorrer empresas e bancos a beira da falência.
Mas voltando ao que interessa, Obama ganhou. Mais uma vez. Na Câmara dos deputados foi aprovado o pacote de estímulo econômico de US$ 819 bilhões que prevê gastos de emergência e cortes de impostos almejados pelo novo presidente. E o melhor de tudo, do total de US$ 819 bilhões aprovados no congresso americano, do projeto para reativar a economia, aproximadamente US$ 87 bilhões serão usados no aumento temporário dos subsídios federais à saúde pública nos estados, US$ 90 bilhões de dólares serão gastos em investimentos com infraestrutura, US$ 79 bilhões para escolas e universidades públicas, e US$ 54 bilhões para estimular a produção de fontes alternativas de energia. Além disso, US$ 43 bilhões serão usados para estender o seguro-desemprego e o treinamento de mão de obra, mais US$ 39 bilhões para os desempregados pagarem pelo seguro-saúde, e US$ 20 bilhões em ajuda para compra de alimentos pelos mais pobres. A medida agora será debatida no senado, mas rejeitá-la num momento crucial como esse que todos atravessamos seria dar um tiro no pé. Digo todos, porque sendo ainda a locomotiva econômica do mundo, tudo de bom que se faça para reaquecer a economia americana terá repercussão nos quatro cantos do globo. Por isso desejo tudo de bom para a nova administração, inclusive, que dê bons exemplos que possam ser seguidos por todos, inclusive nossos políticos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A posse de Obama e o futuro dos EUA.

Desde a confirmação da vitória de Barack Obama na eleição para a presidência dos Estados Unidos da América, tive uma sensação, difícil de explicar, de que algo grandioso, fora do comum e especial aconteceu. É a primeira vez que um negro chega ao posto mais alto da nação mais poderosa do mundo, mas independente da cor da pele, a eleição deste homem passa uma sensação de esperança qual não me lembro de ter visto antes (salvo na eleição de Lula, um metalúrgico), e espero eu, que não seja frustrada. Independente de críticas, acusações, e de tudo que foi dito durante a campanha, a respeito de um apoio maciço da mídia americana, que teria inclusive tentado abafar fatos como o apoio financeiro de grupos estranhos ao pensamento político americano, falsificação de documentos e outros, ainda assim creio que vale a pena sonhar e acreditar numa boa administração. Desejo sinceramente que faça um bom governo, que aqueles que perderam suas casas depois da explosão da bolha imobiliária americana, possam conquistar um teto descente (pois nós do Brasil sabemos o que é passar dificuldades de todo tipo, e não desejamos a mesma sorte a ninguém), um trabalho digno, e uma vida próspera, ainda que provavelmente nada mais seja como antes. Não espero que Obama faça milagres. Espero que faça uma administração competente, justa, focada no respeito aos direitos humanos (o fechamento da prisão de Guantánamo foi um passo importantíssimo), na justiça social (isentando de impostos as classes média e baixa, e cobrando mais dos ricos, ou seja, o contrário de Bush), e fazendo o que for necessário para reativar a economia americana, que continua sendo a locomotiva do mundo. Uma nacionalização temporária de bancos, com a compra de papéis tóxicos (com deságio é claro), talvez seja necessária, bem como uma substancial ajuda a empresas importantes que se encontram em dificuldades como as montadoras (mesmo que atropele regras da OMC), investimento em infraestrutura, e energias alternativas (seria uma boa idéia adotar o biogás gerado a partir do lixo, ou do esgoto tal como foi feito na Estação Alegria no Rio, ou o uso de energia solar) e outros. O álcool de cana-de-açucar, comprado de nações da América Central e Brasil (sem subsídios), poderia liberar os produtores americanos (de milho entre outros), a produziram produtos para consumo humano, e de gado. Também seria de se esperar que, cumprindo promessa de campanha, a retirada de tropas seja feita de forma gradual, mas sem deixar de preparar o mais rápido possível (e muito bem), contingente local para substituí-lo em grande quantidade.
Mas apesar de tudo, e o próprio Barack Obama em seu discurso de posse reconhece isso, os tempos são outros, e muito difíceis, como ele mesmo disse “nuvens negras” e “tempestades furiosas” estão se formando, daí passar a imagem de que decisões difíceis serão tomadas, mas, de qualquer maneira, tenho a sensação de que nada mais será como antes. Por mais que Obama faça um bom governo, os efeitos de seus atos, especialmente na área econômica só serão sentidos daqui a alguns anos, mas um fator deve ser considerado: “Ainda que por um bom tempo os EUA continuem sendo a maior potência, e a locomotiva (a principal, mas já não mais a única), do mundo, a decadência do país é irreversível, bem como a ascensão de novas potências como a China por exemplo".