Gostaria aqui de parabenizar a família do ex-presidente João Goulart (embora saiba que talvez nunca venham a ler este blog), por mover um processo contra o Departamento de Estado dos E.U.A. por sua participação decisiva no golpe de 64, atitude esta que deveria ter sido seguida por todos os cidadãos de bem, latino-americanos. Aliás, a notícia a respeito deste processo só foi veiculada no "Jornal do Brasil", em nota de roda-pé, sendo omitida na grande imprensa, e vocês podem imaginar por que? Talvez porque a "Veja", "Folha de São Paulo", Jornal "O Globo", Revista "Época", O "Estado de São Paulo", e outros veículos da grande imprensa não queiram comprar briga com a metrópole (o patrão), estimulando ações idênticas por parte de outras pessoas e países prejudicados. Em outras palavras, em países como o Brasil pode-se mostrar as notícias e fatos como são, ou não, desde que atendendo a interesses específicos, pois do contrário, vale até inventar uma notícia falsa, ou omitir uma verdadeira.
Já notei que a grande imprensa brasileira evita mostrar determinadas notícias que poderiam talvez estimular mobilização popular, conscientização, e levar, quem sabe a atitudes mais incisivas, por parte da população contra situações há muito incômodas e que vêm se acumulando. Um exemplo disso foi a omissão desta notícia que citei de que a família do ex-presidente João Goulart estaria processando o governo dos E.U.A. por sua responsabilidade no golpe de estado perpetrado contra o presidente que assumira o cargo em decorrência da renúncia de Jânio Quadros. Fica a impressão de que a divulgação de tal notícia poderia estimular uma enxurrada de processos de cidadãos brasileiros, e de outros países latino-americanos, e quem sabe influenciar até governos da região (Hugo Chaves, Evo Morales, Raul Correa, Fernando Lugo, Daniel Ortega, etc...), em ações semelhantes contra aquele país, que não interessaria a determinados segmentos com grande influência tanto econômica, quanto política (governo americano, empresas, nacionais ou estrangeiras que apoiaram ou não o golpe, ou tem interesses, e também políticos que apóiam interesses em jogo, etc...).
Também me chamou muito a atenção o fato de a mídia não ter dado destaque a revolta ocorrida, há bem pouco tempo atrás num canteiro de obras no estado de Goiás envolvendo peões que trabalhavam para uma conhecida empreiteira, que por sua vez, prestava serviço a uma grande mineradora estrangeira. Tudo começou quando um peão, triste por estar com saudades da família, para esquecer os problemas, resolveu entrar no refeitório da empresa para comprar cerveja sem camisa. A segurança o impediu de entrar, o que deu início a uma discussão entre o peão e os seguranças que chamaram a polícia. O peão foi algemado e, segundo noticiado teria sido agredido na frente de outros trabalhadores, colegas do mesmo, que indignados resolveram resgatá-lo. Enfrentando a polícia, mesmo desarmada, a multidão de trabalhadores, resgatou o peão, tirou-lhe as algemas,e depois de muita confusão e descontrole queimou vários alojamentos em que dormiam, causando grande estrago, o que resultou numa intervenção mais forte da polícia que deteve novamente o peão que começou a discussão (se não me engano o único indiciado), e na demissão de vários trabalhadores pela empreiteira. O interessante neste fato ocorrido há pouco tempo é que o “Jornal do Brasil” noticiou-o como “A revolta que o Brasil não viu”, o que me leva a perguntar, o porquê do desinteresse da imprensa em noticiar tal fato. Seria o medo de mostrar algo que pudesse despertar na população um desejo de lutar contra injustiças praticadas há tempos, de se mobilizar e tentar mudar uma ordem imposta por segmentos mais poderosos de nossa sociedade, economicamente falando, inalcançáveis, inatingíveis, que sempre estiveram acima da lei? Seria o medo de que tal notícia poderia provocar, talvez, um despertar, uma conscientização em nosso povo que ameaçaria interesses poderosos que envolveriam também essa parcela de nossa mídia? Isso me leva a pensar sobre essa antiga premissa de que o povo brasileiro é acomodado, resignado, e só reclama, mas não toma atitudes decisivas. Basta uma olhada no passado, nos tempos de insurreições como a “Sabinada”, a “Balaiada”, a “Farroupilha”, e outras, e passo a acreditar que a atitude das pessoas em nosso país, nos tempos atuais é própria de quem vive anestesiado, sofrendo manipulação, com informações, muitas vezes sob medida, (alguém lembra do grampo sem áudio no STF?), que atendem a determinados interesses. Às vezes tenho a sensação de que existe uma situação latente que em algum momento vai explodir, bastando para isso um acontecimento extraordinário no momento e lugar certos. Ainda me impressiono como a mídia mostrou a violência estudantil na Grécia. Basta um estopim para que, num mundo globalizado a moda pegue e chegue aqui.
Falando nisso, alguém lembra do problema ocorrido anos atrás com a Coca-Cola, em que pessoas passaram mal ao ingerir o refrigerante, e foram parar nos hospitais, e mesmo assim, apesar da repercursão negativa do fato, parte da mídia preferiu não falar (ou esconder), o ocorrido?
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